A autenticidade
Creio que é difícil falar da autenticidade num sentido antropológico profundo. Os alunos não estão habituados quer a esta linguagem quer a este nível de reflexão. Por isso, o mais fácil é fazerem uma interpretação moralista do tema, tipo devemos ser autênticos, sinceros, verdadeiros para com os outros...
Por isso falámos da autenticidade a partir da experiência existencial de, numa vida de rotinas, sentir uma interrogação pelo sentido e acabar por abafá-la no consumismo, no álcool, na droga... E fizemo-lo num quadro de lógica existencial.
A autenticidade é, no fundo, a coerência ou a concordância de si consigo mesmo. Tal como a lógica é a concordância do pensamento com o próprio pensamento.
Aquele que afoga uma pergunta existencial, que se recusa responder-lhe, nega em si a pergunta, vive “como se” ela não existisse. Mas ela está lá, no subconsciente, a solicitar resposta. E acabará por surgir aqui ou além: num desconforto, numa indecisão, numa angústia mal reconhecida ou mal explicada...
A autenticidade é, no fundo, o segredo da felicidade: a coincidência de mim comigo mesmo e de mim com o mundo.Será que nos fizemos entender? Ou apenas pareceu que sim?
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